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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Sobre o Orçamento Participativo, Braga 2016

Terminou o Orçamento Participativo Braga 2016.



Os resultados foram descritos desta forma no Correio do Minho, "Orçamento Participativo dá voz aos anseios dos Bracarenses".
E os "anseios" dos bracarenses foram estes:

1º Lugar - 1354 votos - Parque desportivo de Guisande. Ampliação e remodelação dos vestiários-balneários (Guisande e Oliveira (São Pedro))
2º Lugar - 1197 votos - Requalificação do parque de merendas de Vilaça (Vilaça e Fradelos)
3º Lugar - 1095 votos - Requalificação e recuperação dos balneários e edifício de apoio ao parque desportivo de Tebosa (Tebosa) 
4º Lugar - 1019 votos - Apoio Domiciliário – Ajuda Feliz (Lomar e Arcos)
5º Lugar - 812 votos - + teatro (Arentim e Cunha)
6º Lugar - 764 votos - Obras de conservação e beneficiação do edifício do Centro Paroquial de Aveleda (Celeirós, Aveleda e Vimieiro)
7º Lugar - 706 votos - Planetário – Casa da Ciência de Braga (Gualtar)
8º Lugar - 665 votos - Mais Natal Priscos (Priscos)
(Resultados da votação 1ª Fase, 2ª Fase)

Tal como aqui referido no ano passadoprocurar auscultar a população e chamá-la à participação nos projetos a realizar na cidade e restante concelho, é sem dúvida uma atitude louvável.
Contudo, não deve findar aí o papel da Câmara Municipal de Braga. Procurar aperfeiçoar tal processo e verificar se os projetos submetidos se enquadram na causa pública, se são razoáveis e vantajosos para o município, devem ser também desígnios deste orçamento participativo. 


É nesse sentido, que se torna incompreensível que mais uma vez, a cidade que concentra cerca de 75% da população do município, é o motor e o elemento estruturante não só do município mas de toda a região envolvente, não tenha qualquer projeto vencedor que verse o espaço público. 

Além das críticas apontadas ao orçamento participativo de 2015, fica mais uma vez claro que se o "princípio geral do orçamento participativo é delegar nos cidadãos a decisão relativamente ao que fazer com uma parte do Orçamento do Município", ter projetos de Juntas de Freguesia e Paróquias em votação juntamente com os dos cidadãos a título individual, não será a melhor forma de promover esse princípio geral.

Se as Escolas estão numa votação própria porque não fazer o mesmo com as restantes instituições?

Em relação à mobilização da população, sendo os 9455 votos um recorde, a verdade é que num universo de cerca de 200.000 cidadãos elegíveis para votar, representa uma afluência inferior a 5%, e consequentemente uma abstenção superior a 95%.
A dimensão da abstenção é inexplicável, uma vez que se trata de um ato de democracia direta, onde cada cidadão tem o direito de votar efetivamente no projeto que entende como o melhor para o município, ao invés das restantes votações onde há apenas um ato de "democracia representativa".


Existe um longo caminho a percorrer, mas esperemos que o OP Braga continue a evoluir e que a afluência atinja níveis condizentes com a nobreza do ato.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Festa de ano novo, Braga 2014/15

O último pôr do Sol de 2014! 

Braga podia entrar em cada ano sob o lema "A Porta fica aberta".
Talvez um dia tenhamos uma grande festa de ano novo.


Imagem de Salome Martins Ferreira

A todos um feliz 2015!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Região de Turismo Porto e Norte prejudica todo o Minho - 2

Nesta mensagem, o BragaOn pretende novamente dar a conhecer a todos os minhotos, a realidade dos números do Turismo do Minho, mais concretamente em relação ao número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros, atualizados a 19 de dezembro de 2014 no Anuário Estatístico da Região Norte e no dia 12 de novembro de 2014 na base de dados do site do INEProcurando desta forma elucidar todos os interessados, sobre o que está em curso.

Como se sabe, a Região de Turismo Porto e Norte de Portugal foi criada em Setembro de 2008, e veio substituir as antigas Regiões de Turismo. O Minho era promovido pelas regiões de Turismo Verde Minho, Alto Minho, que funcionaram em pleno até 2007. Desde então a nova região de Turismo tem promovido a marca "Porto e Norte TEM".
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Com o intuito de verificar a influência da promoção desta marca, e da restante ação sob a denominação de Região de Turismo Porto e Norte de Portugal, procurou-se comparar 2007 o último ano em pleno das antigas regiões de Turismo, com os valores de 2013, que já refletem mais de cinco anos de atividade e promoção da marca "Porto e Norte".

Nota: Os dados relativos às dormidas nos estabelecimentos hoteleiros, podem ser consultados até ao nível de município, no site do INE (12).

Tabela e gráfico relativos ao número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros, nos 7 anos que compõem o período em análise, na NUTS II Norte e nas NUTS III que o constituem.

Tabela síntese da evolução do número de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros.


Na tabela podemos consultar os valores de Portugal, da NUTS II Norte das NUTS III integrantes do Norte de Portugal e também a soma das 3 NUTS III (Minho-Lima, Cávado e Ave) que compõem quase na integra a antiga região do Minho e os valores do município do Porto.

Como se pode constatar nos dados, em 2013 existiram mais 636.614 dormidas no Norte de Portugal relativamente a 2007. Este aumento foi especialmente acentuado de 2012 para 2013 com um acréscimo de 323.660. 

Contudo na análise das NUTS III que compõem o Norte é possível verificar que o crescimento foi muito assimétrico.
Na verdade o Minho (total das NUTS III Ave, Cávado e Minho-Lima) perdeu 140.053 dormidas no período em análise, um recuo de 12,1% relativamente a 2007, passando a representar apenas 20,9% do total do Norte, quando em 2007 representava 27,4%
. Todas as 3 NUTS que compõem o Minho, perderam dormidas e cota de mercado dentro do Norte de Portugal.

Em contra partida, o número de dormidas no município do Porto e no Grande Porto cresceram 551.771 (37,8%) e 731.260 (30,7%) respetivamente. Passando o Porto a representar 41,4% do valor total do Norte, contra os 34,5% em 2007, e o Grande Porto a representar 64,0% do total do Norte, contra os 56,3% em 2007. 

As NUTS III Douro e Alto Trás-os-Montes, também tiveram perdas de dormidas e de cota de mercado no total do Norte de Portugal, enquanto o Tâmega com um ganho de 74.684 (74,2%) dormidas, passou a representar 3,6% do total do Norte, e o Entre Douro e Vouga com um ganho de 19.403 (22,4%) dormidas, passou a representar 2,2% do total do Norte, face aos 2% de 2007. 

É portanto facilmente verificável que a marca "Porto e Norte", tem claramente promovido o "Porto-centrismo", sendo que as 2 outras NUTS III que também apresentam crescimento absoluto e relativo além do Grande Porto, fazem fronteira com este.

Dentro deste panorama, o Minho foi claramente a "sub-região" mais prejudicada.

Apesar do Minho (1), Braga (1,2,3,4), Guimarães (1,2), Peneda-Gerês (1), Viana do Castelo receberem a atenção e distinção dos media nacionais e internacionais, apesar das "lowcosts" terem revolucionado a ligação ao Norte de Portugal através do Aeroporto Francisco Sá Carneiro (AFSC), ao contrário das inúmeras "notícias" que vão surgindo no Diário do Minho e Correio do Minho (1, 2) sobre a afirmação de Braga e das restantes cidades minhotas, a verdade é que o Turismo do Minho está estagnado.

É hora dos políticos do Minho se reunirem e criarem uma rede que vá "buscar" os turistas ao AFSC e os coloque a dormir em Barcelos, Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Peneda-Gerês. Isto só será possível se existir:
- presença da marca e dos produtos minhotos a nível internacional;
- rede de ligação entre os principais destinos e produtos turísticos minhotos;
- criação de roteiros de mais de um dia com os destinos minhotos.

Tudo isto está por fazer, e apesar da intensa propaganda que se vê nos meios de comunicação local, poucas são as notícias que apontam neste sentido.

Em suma, infelizmente a perda de dormidas do Minho tem sido omitida, assim como  a enorme centralização das dormidas no Porto e no Grande Porto.


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Até quando minhotos?

Urge lutar pelo Minho, neste caso exigir a alteração do nome para Região de Turismo do Norte de Portugal, ou lutar pela criação da Região de Turismo do Minho.


P.S. Os dados presentes no quadro III.11.3 do Anuário Estatístico da Região Norte 2013 são ligeiramente diferentes dos apresentados na base de dados do INE, foi dada preferência à comparação com os restantes dados presente na base de dados do INE, pelo que os valores foram atualizados, para consulta ficam aqui também as tabelas e gráficos com os valores de 2013 presentes no Anuário Estatístico.



Mais mensagens sobre o Turismo na Região Porto e Norte (1,2,3)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Inundações em Braga, 15-10-2014

Apesar de ter chovido o dia todo, a chuva nunca atingiu uma grande intensidade, como reportam as estações de meteorologia amadoras e a estação de Braga (Merelim) do IPMA.

Diária: 96,8mm; Horária: 16,5mm (18:02 - 19:02); 30 minutos: sem informação; 10 minutos: sem informação

Estação de Gualtar
Diária: 80,8mm; Horária: 10,4mm (17:50 - 18:50); 30 minutos: 8,4mm (18:20 - 18:50); 10 minutos: 4,3mm (18:30 - 18:40)

Estação da EB23 Trigal Santa Maria
Diária: 77,7mm; Horária: 16,8mm (18:02 - 19:02); 30 minutos: 12,5mm (18:12 - 18:42); 10 minutos: 5,1mm (18:32 - 18:42)

Estação do IPMA em Braga, Merelim

Diária: 92,8mm; Horária: 11,1mm (3:00 - 4:00); 30 minutos: sem informação; 10 minutos: sem informação


Contudo foi o suficiente para voltar a causar alguns transtornos. Na RUM pode ler-se:
A chuva intensa que se fez sentir esta quarta-feira voltou a provocar inundações e estragos no concelho de Braga. A Rua Maria Amélia Bastos Leite, na freguesia de Ferreiros, ficou inundada.
Vários carros ficaram submersos e três condutores foram mesmo resgatados. Os moradores daquela rua, junto à Delphi e a 100 metros do Rio Este pedem há mais de 10 anos uma intervenção. (Fotografias: Nuno Cerqueira/RUM)
Rua Maria Amélia Bastos Leite

O "Túnel do Meliã" ficou também inundado e fechado à circulação automóvel.

Avenida João XXI
 
Por Ana Barros

Praceta Luís Almeida Braga e rua Dr. Francisco Duarte, respetivamente.

As 3 estações da cidade voltaram a demonstrar valores muito idênticos, enquanto a Estação do IPMA em Merelim, demonstrou novamente uma discrepância assinalável. Principalmente na hora de maior precipitação, que nesta estação foi das 3h às 4h da madrugada, enquanto nas outras 3 foi das 18h às 19h.

Em suma, como foi dito aqui no bloguetorna-se evidente que existem pontos negros na cidade de Braga, que recorrentemente são alvo de ocorrências. Portanto, há que fazer um levantamento rigoroso do município e realizar as devidas intervenções. Tendo bem ciente que ainda não se verificou um acontecimento extremo do nível que alguns estudos (EAFE - PIPC) preveem para Braga. Podendo este ocorrer amanhã, depois de amanhã ou daqui a anos ou décadas.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sobre as inundações em Braga, e os dados apresentados pelo IPMA

Sobre as inundações que ocorrem em Braga e em qualquer outra cidade, devemos procurar distinguir o que é aceitável ou não. 



Uma cidade deve estar projetada para funcionar perante situações normais e situações anómalas que se verifiquem com alguma frequência. Normalmente, realizam-se estudos técnicos aos períodos de retorno de 10, 100 e 1000 anos para esse efeito (Estudo para implantação do Mercado Abastecedor de Braga).
Seguramente que em Braga existem diversos pontos que não cumprem estes requisitos e quase todos os anos são afetados.

No passado dia 08-10-2014 a cidade ficou novamente paralisada, por força das diversas inundações, provocadas pela chuva intensa. Sendo que, na sua maioria, em locais recorrentes.  
Algumas horas depois, foi noticiado na RUM, que teria sido a chuva mais intensa dos últimos 80 anos, o que tornaria aceitável a saturação e a ineficácia dos sistemas de drenagem.

No dia 10 de outubro, foram reveladas algumas das medições efetuadas, que demonstraram que se tratou de uma precipitação muito intensa, porém, fazendo apenas referência aos últimos 15 anos. Em notícia do Correio do Minho, Ilda Novo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), afirmava o seguinte:
"Estes valores tão elevados da precipitação em 10 minutos, 30 minutos e numa hora, ocorridos no dia 8 de Outubro, contribuíram de forma decisiva para a ocorrência de inundações em Braga e na região."
Já no Diário do Minho podia ler-se:
"Segundo dados divulgados pelo IPMA, entre as 20h50 e as 21h50, Braga registou 45,7mm de precipitação, 37,8 dos quais em apenas meia hora (das 21h20 às 21h50) e 14,7mm em dez minutos (das 21h40 às 21h50).

Entretanto surgiu a reação do presidente da CMB, Ricardo Rio. Que centrou, e bem, o discurso nos erros estruturais que se devem corrigir e não na excecionalidade da situação ocorrida, apesar de voltar a fazer referência aos valores recorde dos últimos 15 anos.

Os valores da precipitação são de fato anómalos, e caso se tivessem verificado na área urbana da cidade de Braga teriam certamente provocado o caos. 

Contudo, será que foi isso que realmente aconteceu na cidade de Braga!?

Na verdade, aparentemente, o IPMA apresentou os dados verificados na Estação Meteorológica Automática (EMA) de Merelim, que se situa à cota de 60m, e onde toda a precipitação registada, não afeta minimamente a área mais urbanizada do município, e nomeadamente o caudal do Rio Este e os principais eixos inundados que frequentemente são notícia.

Dada a proximidade com a cidade, os dados não serão totalmente desfasados da realidade. Contudo, todos os estudos e afirmações que se façam sobre a cidade, com base apenas nos registos da EMA de Braga (Merelim), carecerão sempre do rigor devido.

Esta deveria ser uma questão a rever pela CMB junto do IPMA, pois seria de todo conveniente ter uma EMA no vale do Rio Este, numa localização e cota mais aproximada da cidade. Existindo para isso diversos locais com condições para a instalar.

Voltando ao dia 8 de outubro de 2014, apesar do IPMA não disponibilizar os valores de outras estações e postos udométricos situados na bacia de drenagem do Rio Este, neste dia existiam 3 estações em funcionamento, a Estação da Quinta da Capela, Estação de Gualtar e Estação da EB23 Trigal Santa Maria em Tadim, que disponibilizaram os dados.

Estes foram os valores das precipitações máximas, nas 4 estações:
Estação da Quinta da Capela

Diária: 77,7mm
Horária: 24,7mm
30 minutos: sem informação
10 minutos: sem informação

Estação de Gualtar
Dia: 60,7mm
Horária: 26,7mm (21:00 - 22:00)
30 minutos: 22,3mm (21:30 - 22:00)
10 minutos: 8,4mm (21:50 - 22:00)

Estação da EB23 Trigal Santa Maria
Diária: 79mm
Horária: 33,8mm (20:50 - 21:50) 
30 minutos: 29,7mm (21:15 - 21:45)
10 minutos: 12,7mm (21:25 - 21:35)

Estação do IPMA em Braga, Merelim (bacia hidrográfica do Cávado):

Dia: ~89mm
Horária: 45,7mm (20:50 - 21:50)
30 minutos: 37,8mm (21:20 - 21:50)
10 minutos: 14,7mm (21:40 - 21:50)

Observando os valores das 3 estações, estes são idênticos e muito inferiores aos que ocorreram na EMA de Braga (Merelim). Portanto, crendo na qualidade dos dados apresentados pelas 3 estações e enquanto não forem conhecidos outros valores, somos levados a concluir que na maioria do perímetro urbano da cidade de Braga, podemos estar perante uma intempérie com um período de retorno de 3 a 5 anos. E não perante um acontecimento excecional, com um período de retorno superior a 15 anos.

Além disso, segundo o Estudo Análise de Fenómenos Extremos - Precipitações Intensas em Portugal Continental (EAFE - PIPC), com base na série udográfica analisada, para um período de retorno de 100 anos os valores previstos para Braga são:
-Dia: 178 a 205mm
-Horária: 51 a 57mm 
-30 minutos: 42 a 48mm
-10 minutos: sem informação

E a Precipitação Máxima estimada é de:
-Dia: 343 a 388mm
-Horária: 175 a 191mm

Em suma, é evidente que existem pontos negros na cidade de Braga, que recorrentemente são alvo de ocorrências. Portanto, há que fazer um levantamento rigoroso do município e realizar as devidas intervenções. Tendo bem ciente que ainda não se verificou um acontecimento extremo do nível que alguns estudos (EAFE - PIPC) preveem para Braga. Podendo este ocorrer amanhã, depois de amanhã ou daqui a anos ou décadas.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sobre o Orçamento Participativo, Braga 2015

Terminou a consulta pública do orçamento participativo para Braga 2015. Pode ler-se no comunicado da CMB:
Pela primeira vez, o Município de Braga colocou, este ano, nas ‘mãos’ da população, através do Orçamento Participativo, uma verba de meio milhão de euros do Orçamento Municipal, sendo seis os projectos do Orçamento Público que os Bracarenses elegeram e que serão executados ao longo de 2015.

Dado que este Orçamento se traduziu num “exercício extraordinário de cidadania, de democracia e de mobilização dos Bracarenses em torno do seu futuro”, Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, anunciou que esta iniciativa “terá sequência” no próximo ano, com um “reforço substancial” de verbas. Assim, o Orçamento Participativo Público para o próximo ano, passará a contemplar 650 mil euros, em vez dos actuais 425 mil euros, ao passo que o Orçamento Participativo Escolar passará de 75 mil euros, para 100 mil euros, o que perfaz um total de 750 mil euros para o Orçamento Participativo de 2016.






Procurar auscultar a população e chamá-la à participação nos projetos a realizar na cidade e restante concelho, é sem dúvida uma atitude louvável. 
Contudo, não deve findar aí o papel da Câmara Municipal de Braga. Procurar aperfeiçoar tal processo e verificar se os projetos submetidos se enquadram na causa pública, se são razoáveis e vantajosos para o município, devem ser também desígnios deste orçamento participativo. 
Com o aumento da dotação, deve também aumentar essa preocupação e cabe também a cada cidadão interpretar aquilo que deve ser o orçamento participativo e que tipo de propostas devem nele constar. 


O orçamento participativo para 2015 aceitava propostas enquadradas nas seguintes áreas:

  • ambiente e energia;
  • coesão social;
  • equipamentos (melhoria ou reparação de equipamentos culturais, sociais, etc.);
  • espaços públicos (jardins, parques, praças, etc.);
  • património (material e imaterial);
  • segurança e proteção civil;
  • trânsito, mobilidade e acessibilidades;
  • turismo, comércio e promoção económica.

Estes foram os projetos vencedores no âmbito do Orçamento Participativo Público. 
Duzentos anos de música no coração da cidade” (Património material e imaterial) foi o projecto mais votado e tem como objectivo a recuperação do órgão da igreja de São Victor, consolidação do coreto e da balaustrada do coro, que data de Novembro de 1815.
O segundo projecto escolhido intitula-se por “Mais Natal – Priscos” (Coesão Social), um projecto de intervenção social, que procura criar novas oportunidades de desenvolvimento e de integração social para reclusos e pessoas da comunidade cigana. 

A “Conclusão do Parque de Merendas e Lazer de Aveleda” (Coesão Social) acolheu a terceira maior votação. Trata-se de uma proposta que terá como finalidade a criação e espaços de convívio e de lazer que servirá a população mais idosa do Centro social de Aveleda, mas também a população em geral. 
A “Construção de Praia Fluvial, Parque de Merendas e Recuperação de Moinho” (Espaços Públicos), da União de Freguesias de Guisande e Oliveira São Pedro, foi outro projecto que recebeu o aval da população, tal como a “Recuperação e Revitalização de Moinho movido a água” (Património Material e Imaterial) da União de Freguesias de Este (São Pedro e São Mamede).
O último projecto a ser contemplado no Orçamento Participativo foi o “BANG!!” (Património Material e Imaterial), que pretende incentivar a reflexão, o debate e o intercâmbio de ideias entre instituições e profissionais de diferentes áreas, como design, artes plásticas e música, com particular destaque na arquitectura, potenciando o estabelecimento de parcerias e projectos de cooperação.

Quando se observam os projetos vencedores, é fácil verificar que apenas três áreas das sete consagradas no orçamento participativo tiveram projetos vencedores. Mas mais importante será questionar porque é que a cidade que concentra cerca de 75% da população do município, é o motor e elemento estruturante não só do município mas de toda a região envolvente, não teve qualquer projeto vencedor que verse o espaço público!? 

Será que estes projetos vencedores, refletem a vontade da maioria dos bracarenses!?


Parece ser evidente que não basta que o princípio do orçamento participativo seja delegar nos cidadãos a decisão. Este deve procurar assegurar que:
- sejam contemplados projetos nas diversas áreas que se entendam necessárias, uma vez que algumas áreas são mais passíveis de mobilizar votos que outras, limitando por exemplo a um máximo de dois projetos e a um mínimo de um projeto por área;
-  o território do concelho seja contemplado de forma racional, limitar a um máximo de um projeto por freguesia e a um mínimo de três projetos na área urbana de Braga;
- sejam mais de intervenção no espaço público, devem ser contemplados mais projetos que versem espaços de uso coletivo, do que intervenções em interiores e em imóveis privados de acesso e uso limitado;

Com a introdução destas premissas e limites, seria possível auscultar cada cidadão em cada uma das diferentes áreas, devendo cada cidadão poder votar e submeter um projeto por área. Sendo que estaria limitado a um máximo de dois projetos vencedores por autor, entidade ou associação. 

Em suma, independentemente de se concordar com determinado projeto ou ideia para um futuro Orçamento Participativo, o fundamental será que este procure cada vez mais contemplar projetos inovadores, racionais e benéficos para todos. Devendo ser ainda, o reflexo da vontade e ideias de toda a população, evitando ser o reflexo da maior vontade, organização e militância de alguns.
 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Braga Romana 2014 - Crítica à "des"organização


Não obstante o programa ser cada vez mais rico, uma breve visita à Braga Romana 2014 bastou para verificar, que o novo mapa do evento, a nova disposição das tendas e praças de alimentação são deveras infelizes.

Tendo como objetivos:
- dispersar mais o evento (para evitar zonas sobre-lotadas);
- aproximar a Braga Romana da Bracara Augusta.

A organização, procedeu aparentemente a demasiadas e infelizes alterações no mapa do evento.
As novas zonas de alimentação, que conseguiriam atrair pessoas para as novas zonas do evento, foram sobrecarregadas de tendas, tornando-as exíguas. Além disso, estão em zonas periféricas e constituem verdadeiras ilhas isoladas. Quem se desloca dentro do evento, tem que atravessar arruamentos com circulação automóvel e por vezes, dá de caras com as traseiras das tendas... 

Há claramente uma enorme clivagem entre as diversas zonas, perdendo-se por completo o ambiente que tinha a Braga Romana, quando estava concentrada na Braga Medieval.

Uma distribuição mais equilibrada das tendas e áreas de alimentação, permitiria manter a animação e o evento em ruas pedonais, como a Rua Eça de Queirós e a Rua Dr.Justino Cruz, sem prejuízo da expansão do evento para o perímetro de Bracara Augusta.


A Braga Romana cresceu de edição para edição, bastavam correções de pormenor para torná-la ainda mais atrativa e pujante, contudo resolveram revolucionar por completo algo que funcionava...


(em atualização)

P.S. Se for possível serão colocadas imagens que exemplificam as críticas apontadas.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Variante de Vila Verde esquecida pelo governo, e ausência de posição de Braga.

Uma péssima notícia para Braga, pode ler-se no Correio do Minho:


Câmara Municipal contesta a não inclusão da Variante a Vila Verde entre os projetos e investimentos prioritários do Governo

A maioria social-democrata na Câmara Municipal de Vila Verde contesta a não inclusão da Variante à sede concelhia nos 23 projetos prioritários contemplados no Relatório Final do Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado que deverá nortear os investimentos do governo no setor rodoviário.
O Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Dr. António Vilela, não esconde a sua surpresa e até indignação pelo facto do Estudo ignorar a Variante à E.N. 101- variante à sede do concelho de Vila Verde. No dizer do Edil, “um estudo realizado pelo ex-INIR, em 2011, considerava a intervenção na EN 101 como prioritária e absoluta, incluindo-a no nível de serviço D e, em alguns sítios, ia mesmo mais longe, colocando esta artéria num nível de serviço E, quando o Plano Rodoviário Nacional considera como nível de serviço mínimo para as Estradas Nacionais (EN) o nível C, o que faz com que o projeto que inclui a Variante à sede do concelho de Vila Verde seja, inquestionavelmente, um investimento prioritário”.
...
No mesmo estudo, sublinha o Dr. António Vilela, “no território abrangido pelo projeto da Variante a Vila Verde, com uma extensão de 7,7 km, incluído num projeto mais abrangente, com 8 variantes de intervenção, entre a cidade de Braga e a Ponte da Barca, a rentabilidade económica apresentava um VAL económico positivo e uma TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) superior a 1, sendo que o rácio benefício/custo também se revelava positivo e o tráfego era superior a 20 000 veículos de média diária, cumprindo assim todos os critérios relevantes para que a obra seja considerada absolutamente prioritária.”
... 

Representar os interesses de Braga, devia passar também por defender investimentos que são essenciais para o desenvolvimento da região. Uma posição conjunta das autarquias mais afetadas por esta decisões, teria outro peso. 
Não se entende o silêncio de Braga, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez e Terras de Bouro.

Em vez de semanalmente se ver nos meios de comunicação locais, Braga a capital do Minho, frase proferida por diversos atores da cidade, os seus políticos deviam procurar representar os interesses da região, pois só assim fazem de Braga a capital minhota.

Parece evidente, que a obra em questão, beneficiaria Braga e a sua região.
Esta iria melhorar a posição da cidade de Braga na região, pois estabeleceria ligação à sua área de influencia tornando-a mais próxima da cidade, valorizaria um eixo que irradia da cidade de Braga, e resolveria os inúmeros problemas que o tráfego regional provoca ao atravessar o centro de Vila Verde. 

Como consequência, tanto a cidade como toda esta zona a norte, tornar-se-iam mais competitivas.

Os últimos Planos Rodoviários Nacionais (PRN) foram claramente nefastos para Braga. 
Se dantes irradiavam de Braga as principais vias regionais, as estradas nacionais (ENs), Braga foi perdendo preponderância no PRN. Num país onde proliferaram os itinerários principais (IPs) e os itinerários complementares (ICs), verificamos que na área de influencia de Braga, nomeadamente o eixo da EN101 Braga-Monção e da EN103 Braga-Chaves, não houve o mesmo tratamento. Outros, como o IP9 que liga Braga a Viana, só existem no papel.

Esperemos que um dia Braga tenha esta dimensão regional, de possuir um papel ativo na defesa dos investimentos em concelhos vizinhos que claramente concorrem para uma maior competitividade da região e da cidade.

sábado, 5 de outubro de 2013

Roteiro pela torres sineiras de Braga - Igreja dos Congregados

BragaOn esteve no "Roteiro pelas torres sineiras de Braga" organizado pelas associações Braga+ e JovemCoop.


Das torres sineiras das igrejas de Braga, o visitante pode ter magníficas vistas sobre a área envolvente da cidade, uma mais valia a explorar por todas as igrejas. Com a recuperação, valorização e transformação dos acessos ao topo das torres em pequenos núcleos museológicos, poderiam obter um rendimento extra que ajudaria certamente a manter e valorizar o património da nossa cidade, assim como desenvolver o seu potencial turístico.

Neste percurso visitamos as torres sineiras das Igrejas de São Victor, São Vicente, Congregados e Santa Cruz. 
Depois da torre sineira de São Vicente, agora uma das torres sineiras da Igreja dos Congregados.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Roteiro pela torres sineiras de Braga - Igreja de São Vicente

O BragaOn esteve no "Roteiro pelas torres sineiras de Braga" organizado pelas associações Braga+ e JovemCoop.



Das torres sineiras das igrejas de Braga, o visitante pode ter magníficas vistas sobre a área envolvente da cidade, uma mais valia a explorar por todas as igrejas. Com a recuperação, valorização e transformação dos acessos ao topo das torres em pequenos núcleos museológicos, poderiam obter um rendimento extra que ajudaria certamente a manter e valorizar o património da nossa cidade, assim como desenvolver o seu potencial turístico.

Neste percurso visitamos as torres sineiras das Igrejas de São Victor, São Vicente, Congregados e Santa Cruz. 
A primeira torre sineira aqui exposta será a de São Vicente.
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Brevemente as panorâmicas das restantes torres sineiras vistadas.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Cónego Melo, o que pensam os bracarenses sobre uma estátua num local publico da cidade?

A estátua está colocada. Alguns decidiram outros abstiveram-se, alguns manifestaram-se a favor outros contra, mas o que pensam os bracarenses sobre este assunto?

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Nos regimes totalitários existe muito a tendência para se fazerem estátuas que homenageiam as grandes figuras desses mesmos regimes, por simpatia e gratidão que estas granjeiam entre os seguidores ou próximos.

Contudo numa sociedade dita democrática, quando numa localidade ou país se pretende homenagear em local público uma personalidade sem consultar a população, esta deverá apresentar um enorme legado em prol dessa mesma localidade ou país, ter sido uma pessoa de exemplar conduta, dedicada a uma causa nobre, entre outras boas ações, sendo portanto consensual tal homenagem, o que torna desnecessária tal consulta pública.

Porém, claramente não é o caso do Cónego Melo. Estamos perante uma figura polémica, que teve marcada influencia política no pós 25 de Abril, onde esteve ligado a movimentos e posições radicais.

Numa cidade, que ainda não homenageou da mesma forma, figuras tão importantes como D. Diogo de Sousa, D. Rodrigo Moura Teles, André Soares que tanto fizeram pelo desenvolvimento da mesma, a pronta homenagem de tão controversa personalidade, sem qualquer consulta pública, não nos remeterá para regimes totalitários onde alguns querem, podem e mandam!?

Não entrando na argumentação pró ou contra determinada figura, o que urge fazer sobre deixar ou retirar a estátua deste local publico, é a devida consulta pública, que devia ter sido o primeiro passo, que qualquer político local competente e imparcial, com a responsabilidade de decidir deveria ter tomado.

Concorda com a colocação da estátua do Cónego Melo num local público da cidade de Braga?
A votação aqui no facebook.

P.S. Votação que decorria no blogue foi adulterada.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O que diriam turistas e bracarenses se descobrissem o Castelo de Braga e a Braga Medieval!?


- Nota: Atualização 01/09/2015 - 
Todos os bracarenses que concordem com este projeto podem votar nele no âmbito do orçamento participativo de 2016, se for um dos selecionados, será uma realidade num futuro próximo.
A 1ª fase de votação encerra no dia 18 de setembro de 2015 e a 2ª fase (final) decorre do dia 21 ao 30 de setembro de 2015.

- Fim -


Pois bem, oculto no quarteirão da Arcada resta parte do Castelo de Braga. Este, não consta do site do IGESPAR, não consta do site do SIPA, não consta do roteiro medieval da cidade, é dado como destruído... mas na verdade encontra-se lá, condenado ao esquecimento.


Graças à tese de doutoramento de Maria do Carmo Franco Ribeiro, ficou-se a conhecer não só o muito que ainda resta, como todas as fases do castelo de Braga, portas, postigos e muralhas da cidade medieval.

Oculto no quarteirão da Arcada, temos pelo menos um torreão da muralha do castelo, e um vasto pano de muralha, onde ainda se inclui a porta gótica de entrada do Castelo.
Nesta zona nobre da cidade os bracarenses e visitantes, ao invés de encontrarem um terreiro do Castelo aprazível e amplo, digno do Monumento Nacional que ostenta, encontram-no de um lado pejado de edifícios de volumetrias díspares e do outro marcado pelas traseiras do edifício do castelo, com uma série de recantos de todo desaconselhados.

Um programa de valorização do terreiro do castelo e da memória deste período tão importante na história da cidade, passaria pela marcação no pavimento do espaço público envolvente, dos elementos entretanto perdidos. Onde se incluem, os troços da muralha e torreões do castelo, a Torre e Porta do Souto, e a restante muralha medieval. Tudo isto devidamente acompanhado da descrição histórica em português e inglês.


Esta simples informação “in loco” atribuiria desde logo um novo fator de atratividade ao terreiro e área envolvente.

Numa segunda fase, seria reformulado o terreiro do castelo, com demolição das parcelas que ocultam os elementos ainda existentes, execução de trabalhos arqueológicos, requalificação da superfície e feito o devido enquadramento arquitectónico dos alçados do terreiro.
Esta intervenção permitiria dar uma dimensão à praça e uma monumentalidade e dignidade ao conjunto medieval ainda existente, completamente díspar do atual.

Braga ganharia assim em pleno centro histórico, um importante polo de atratividade turística, que poderia reabilitar por completo este local claramente subvalorizado.

Com esta intervenção e o devido diálogo, a Câmara Municipal de Braga e a Universidade do Minho, aproveitando o edifício do Castelo poderiam instalar neste quarteirão o Museu da Cidade de Braga, que além da componente documental teria também uma componente dinâmica e de investigação.

Assim se propõe "regenerar" com vista a valorização patrimonial e promoção da cultura e turismo da cidade.

Até quando teremos que esperar, por este tipo de medidas?