sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bracara Augusta - Praia das Sapatas, Património Destruído

A área arqueológica conhecida pela designação de “Praia das Sapatas” situava-se a sul da área vedada da Colina da Cividade. Foi identificada em 1977, tendo sido objecto de trabalhos arqueológicos ainda em 1978. Aí foram encontrados vestígios de uma casa romana, que viriam a ser destruídos em 1992. Fonte UAUM



Espólio encontrado


Tendo a CMB conhecimento desde o final da década de 70 do valor patrimonial dos achados nos terrenos em questão, aqui ficam alguns excertos das notícias relacionadas com a destruição da Praia das Sapatas.


Processo-crime com pedido de indemnização de 230 mil contos
Empresário acusado de destruir património de Bracara Augusta
Por António Arnaldo Mesquita e Carlos Romero
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O terreno em causa foi adquirido por Veloso em hasta pública promovida pela Câmara de Braga em 21 de Março de 1991. O presidente Mesquita Machado aprovou, logo a seguir, o loteamento de parte dos terrenos vendidos. Posteriormente, emitiu o respectivo licenciamento, por considerar haver aprovação tácita do Instituto Português do Património Cultural (IPPC), «após terem decorrido mais de 45 dias, sem que o IPPC se tivesse pronunciado». O processo foi remetido pela Câmara ao IPPC no dia 19 de Abril de 1991 e o parecer desfavorável deste organismo deu entrada na Câmara de Braga em 6 de Junho do mesmo ano, quando esta edilidade já tinha autorizado a construção no terreno. Terreno que seria classificado como «zona especial de protecção», através da Portaria 865/91, de 22 de Agosto.
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Texto integral


Oposição «intelectual» aposta no afastamento de Mesquita Machado pelos tribunais
A batalha de Maximinos 
Por Carlos Romero 

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«Escândalo!», «um péssimo negócio para o município!», proclamou Ademar. E passou a explicar. Em Março de 1991, a Câmara de Braga vendeu ao mesmo Veloso dois lotes de terreno na chamada Praia das Sapatas, «mesmo ao lado» das tais 13 parcelas e «com a mesma viabilidade construtiva», por cerca de 13 contos o metro quadrado. Meses depois, em Novembro de 1991, Veloso propôs-se vender ao Estado, por 28 contos, os mesmos terrenos que tentou alienar à autarquia por 48 contos... Pior ainda: as 13 parcelas de que Veloso se queria livrar foram compradas em 1987 pelo «protegido» de Mesquita a uma empresa do ex-presidente benfiquista Jorge de Brito -- a Soeco --, «por um módico preço calculado à razão, aproximadamente, de 2000 escudos o metro quadrado» ... 
De tudo isto, Ademar conclui, entre outras coisas, que se o terreno fosse expropriado por 45 contos o metro quadrado, Veloso conseguiria a notável proeza de o valorizar 22 vezes, em seis anos, recorde que «seria mais uma originalidade portuguesa». 
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O travão 
O artigo de Ademar no semanário de Rui Lajes, presume o próprio articulista, travou o negócio em gestação. Travou o negócio, mas soltou a língua de Mesquita, que, em conferência de imprensa, apodou de «energúmenos» os mentores da «campanha» em curso. Mas Ademar não desarmou. Continuou a queimar as pestanas no estudo do imbróglio dos terrenos de Maximinos, e deu à estampa, no «Minho», mais textos denunciatórios das embrulhadas com terrenos da Colina. Por pouco tempo. Apertado por dívidas decorrentes de um escasso êxito editorial do semanário, Rui Lajes não só permitiu, à revelia do director do «Minho», Artur Moura, que fossem censuradas, na sua litografia, duas páginas do jornal com artigos subscritos por Ademar, como agarrou com as duas mãos a proposta de compra do jornal, por 55 mil contos, avançada por um grupo dominado por «alguns empresários da construção civil» alegadamente afectos a Mesquita Machado. Daí ao silenciamento do «Minho» foi um passo, caindo em saco roto a intenção, então avançada pelos seus novos patrões, de relançar a publicação «depois do Verão» passado. Conclusão imediata de Ademar e de muito mais gente: os «amigos de Mesquita» investiram 55 mil contos para calar uma voz incómoda
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Perante estas constatações e notícias da época, os depoimentos de Mesquita Machado em relação as escavações no âmbito do projeto regenerar Braga, e a ausência de relatórios por parte do Gabinete de Arqueologia da CMB, o que podem esperar os bracarenses em relação à proteção, estudo e valorização dos achados arqueológicos que sejam encontrados? 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mudar Braga - Regeneração do Centro Histórico e Achados Arqueológicos

Em relação às intervenções no âmbito do projeto "Regenerar Braga", foi dito aqui no blogue a 2 de fevereiro o seguinte:
Esperemos também que todas as escavações que se façam tenham o devido acompanhamento arqueológico. Caso algum achado seja encontrado, que este possa até ser devidamente integrado na requalificação ao contrário do que se fez na Avenida da Liberdade. Quando a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho sugeriu a integração do poço da antiga Rua das Águas, que ao que parece não foi aceite.

Poucos dias depois, a 21 de fevereiro, era escrito o seguinte no Correio do Minho, no âmbito do inicio da requalificação do Largo da Senhora-a-Branca:
Durante as obras no Largo da Senhora-a-Branca, haverá acompanhamento arqueológico, a exemplo do que tem acontecido com as outras intervenções de regeneração urbana que decorrem no centro da cidade, asseguram os serviços técnicos da câmara de Braga.


A 15 e a 16 de março, Mesquita Machado dava as seguintes entrevistas à Radio Universitária do Minho e ao Correio do Minho, aquando das escavações na Rua de São Vicente e Largo das Hortas.
O autarca coloca, para já, de lado, a hipótese de alterar os projetos de regeneração do centro histórico devido aos achados arqueológicos, recusando avançar com “cenários virtuais”, uma vez que as escavações estão a ser feitas, portanto "só haverá ponderação, se o gabinete de arqueologia assim o entender". Declarações que ganham “corpo”, numa outra afirmação de Mesquita Machado - diz o autarca que “nem todos os calhaus são musealizáveis”. Para o autarca "o interesse é maior do ponto de vista de apontamento científico e histórico".
Sobre os achados arqueológicos trazidos à luz do dia no decurso das obras na Rua de São Vicente e no Campo das Hortas, Mesquita Machado admitiu que “já era previsível” esta descoberta, porque é naquelas zonas que passam os aquedutos das Sete Fontes. “São condutas medievais, da época em que foram construídas as habitações naquelas ruas, mas que já nem serão as originais porque terão sido alteradas”, explicou, sublinhando que todas as obras públicas são acompanhadas pelo Gabinete de Arqueologia da câmara. “O Município de Braga não recebe lições de património de ninguém”, frisou o presidente, garantindo que as escavações arqueológicas estão a decorrer como devem ser feitas”.

"Contudo, na requalificação da Rua de São Vicente, mais um valioso tramo da história de Braga foi posto a descoberto, um ramal de canalizações que ligava a Caixa de Água existente no adro da igreja de S. Vicente ao Chafariz existente na Praça Alexandre Herculano (Largo dos Penedos) e daí, seguramente com derivação para o Fontanário Público da Cárcova, existente no Largo de S. Francisco, num dos extremos da Arcada." Como pode ler-se aqui na JovemCoop.
Mais imagens aqui no Bracarae.


No Largo da Senhora-a-Branca várias sepulturas foram encontradas, nas proximidades do Palácio do Raio foram colocadas condutas de grandes dimensões e nada foi relatado, no Campo das Hortas o mesmo. 
Mais recentemente no Largo Carlos Amarante várias estruturas foram colocadas a descoberto e assim estiveram durante este fim de semana, como se pode ver na imagem.

Porém estas estruturas já foram enterradas pelo que se desconhece o tempo de estudo que mereceram, mas um pouco ao lado nova escavação e nova exposição de várias estruturas.


No Largo Carlos Amarante está enterrado espólio de grande valor, já na proximidade das muralhas da cidade Romana. Foram já postos a descoberto os alicerces da Igreja e Convento dos Remédios, entre outras estruturas, pela forma como os achados arqueológicos têm sido tratados, pela ausência de relatórios por parte do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga, e pela vontade em colocar rapidamente condutas de grande dimensão no subsolo do Largo Carlos Amarante, toda a atenção será pouca.

Nos tempos que correm é dever da Câmara Municipal de Braga e respetivo Gabinete de Arqueologia, publicar os relatórios dos trabalhos arqueológicos realizados, tal como a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho fez nas escavações realizadas na Avenida da Liberdade e no Quarteirão dos CTT. 

Quanto à vontade revelada aqui no Blogue a 2 de fevereiro, como é possível constatar para este executivo camarário poucos "calhaus" são musealizáveis. Estranho como em zonas pedonais não se arranjem no mínimo soluções idênticas às que foram instaladas no estabelecimento das Frigideiras do Cantinho.

O Património não se inventa, protege-se e valoriza-se.
Já a construção e a instalação de infraestruturas sem qualquer valor patrimonial podem ser planeadas não colidindo com o património existente, a postura da CMB ao longo dos últimos anos tem condenado valioso património da nossa cidade. Até quando?
As escavações arqueológicas no Bracarae.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Bracara Augusta - Cardoso da Saudade

Bracara Augusta - Património perdido ou abandonado

Cardoso da Saudade 

Os terrenos onde se situava a antiga fábrica do Cardoso da Saudade, forneceram um conjunto de vestígios arqueológicos importantes. As primeiras escavações no local foram realizadas na década de 70 por Rigaud de Sousa, tendo então sido identificados vestígios de uma piscina revestida a mosaico. Mais tarde, entre 1982-83, foram realizadas escavações mais amplas que revelaram um conjunto de muros de uma habitação e vestígios de um pórtico.
Fonte: UAUM
Clicar nas imagens para visualizar em "slideshow".








Fonte das imagens: UAUM

Como sabemos devido à acidez do subsolo em Braga a existência de mosaicos é muito pouco comum, tratando-se de uma descoberta importante e rara, resta perguntar que destino tiveram estes achados romanos, em pleno centro histórico de Braga e nas proximidades do Fórum Romano?

Defender o património e a valorização da cidade não teria passado pela criação de um espaço musealizado e visitável, aquando da construção do edifício actual?
Tal como prometeram fazer no Liberdade Street Fashion!?

Terá razão Mesquita Machado quando afirma que a Câmara Municipal de Braga, não recebe lições de ninguém no que respeita ao estudo, preservação e valorização do legado patrimonial de Bracara Augusta?

As escavações arqueológicas no Bracarae.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Solar e Quinta da Igreja - Património em risco

Situado em Santa Lucrécia de Algeriz este solar torreado com capela, é um exemplar barroco do início do século XVIII. Propriedade de D. Teresa Maria Ferreira Santarém, possui um brasão de 1720 na fachada da capela. Entre 1730 e 1750 são executados os painéis de azulejos da capela, retábulo, púlpito, molduras e guarda do coro-alto. O nome da casa advém de ter existido neste local a primitiva igreja paroquial.

Clicar nas imagens para visualizar em "slideshow".

Em 10 Setembro de 1997 é realizado o despacho de classificação e a 30 de Março de 2012, publicado em D.R., 2ª série, nº 65, o anúncio 7005/2012 com o projecto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público (MIP) e fixação da respectiva zona especial de protecção.

Estando o solar em vias de classificação encontra-se neste momento à venda por 1.300.000€. O património de Braga não está apenas na cidade e muitos solares do concelho estão em avançado estado de degradação.

As entidades competentes deviam procurar salvaguardar este legado e valorizá-lo através de parcerias tendo como finalidade o desenvolvimento da Rota dos Solares de Braga e do Minho, com vista a valorização do potencial Turístico da cidade e da região, justificando assim um roteiro do Minho.

Esta seria mais uma forma de combater a realidade actual, onde apenas a Marca Porto é promovida, e os turistas fazem visitas de um dia a alguns pontos do Minho, não chegando a potenciar o turismo da região. 

O Solar no Bracarae.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Braga 2012 - Mascote

A mascote da CEJ de Antuérpia está no Campo da Vinha, e a de Braga?
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Há imagens de marca e a mascote será certamente uma forma de dar identidade à Braga 2012. Seria também uma boa forma de merchandising, esperemos que a CEJ disponibilize na sua Loja as mascotes, para que todos os interessados a possam adquirir.

Braga 2012 no Bracarae.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

IX Braga Romana - 23 a 27 de Maio

Começa hoje a nona edição da Braga Romana, e prolonga-se até domingo 27 de Maio. 
Este ano promete ser uma das melhores edições, além do merchandising oficial, das referências a Bracara Augusta, o espaço e o número de tendas parece ser maior, os acampamentos e palcos estão mais ricos, e há decoração por todo o centro histórico. Além disso várias lojas da cidade também estão a aderir.

Muitos dos locais de Bracara Augusta continuam ao abandono ou esquecidos, como os achados dos CTT, o Teatro Romano, a Ínsula das Carvalheiras, ...

Contudo Braga Romana afirma-se como um evento de sucesso, e parece estar no rumo certo. Um evento a não perder.

Braga Romana no Bracarae.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Quadrilátero Urbano - Vídeo promocional

Foi lançado um vídeo promocional do quadrilátero urbano.

A cooperação entre as quatro cidades é fundamental, se pretendem o sucesso e a competitividade. 

Perante a nítida tentativa de transformação de todo o Norte num arredor do Porto, que se prolonga há décadas, há já pouca margem de manobra. Esperemos que o "Quadrilátero Urbano" não se mantenha inoperante, enquanto o Porto vai centralizando recursos, sedes e construindo regiões à sua medida.

Aqui fica o vídeo repleto de imagens do Minho e das nossas cidades, ao invés dos vídeos promocionais do Turismo de Portugal, feitos com a participação da Região de Turismo do Porto e Norte (Restos), onde não se vislumbra qualquer imagem do Minho que representa mais de 10% dos portugueses.

O quadrilátero urbano no Bracarae.

domingo, 8 de abril de 2012

Cool Braga (28)

Para visualizar todas as imagens em "slideshow" no tamanho original, basta carregar nas mesmas.






Por Ruggero Poggianella


Mais "Cool Braga", aqui.

sábado, 3 de março de 2012

Art Braga - Mundo Cão

Mundo Cão
Início: 2001
Género: Rock
Local: Braga, Portugal


Ordena que te ame


Morfina

Hoje e Sempre Amen


Caixão da Razão

Locais da Banda