sábado, 9 de fevereiro de 2013

O "negócio dos parcómetros" (3). Uma espécie de marcha de indignação.

Hoje Braga foi pequena. 
A cidadania séria e credível não passa apenas por um like ou um evento criado no facebook. 

Quando alguém se propõe a organizar uma marcha de indignação, terá que estar ciente das dificuldades que poderá enfrentar. Uma organização de uma marcha deste género, mesmo que parta de um mero cidadão na sua boa vontade, terá sempre que apresentar conteúdo, um principio, meio e fim de tal protesto. E certamente terá que procurar rodear-se do apoio e sinergias de pessoas que partilhem do mesmo sentimento e vontade.
Caso contrário, em vez de funcionar como um elemento impulsionador de uma sociedade cada vez mais "adulta" e participativa, descredibiliza e desmobiliza a adesão a outros movimentos de cidadãos que possam surgir.

Hoje presenciamos a uma espécie de marcha de indignação, sem um elemento aglutinador, um mero cartaz que reunisse quem de fato queria mostrar a indignação.
Além disso quem esteve presente na Arcada à hora marcada e por quase uma hora, certamente teve dificuldades em encontrar o organizador. 
Para muitos terá sido esta a imagem que ficou.
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Quando assim é, abre-se a porta a todo o tipo de especulações e até o belo espetáculo de marionetas que decorria na praça da republica, parecia simbolizar algo.
É caso para dizer que "nem tudo o que vem à rede é peixe."

Toda a falta de organização seria minimizada caso a adesão fosse outra. A verdade é que enquanto no facebook 500 pessoas manifestavam a vontade de estar presente na marcha de indignação, nas duas horas, em que alguns bravos bracarenses estiveram ali reunidos em pequenos grupos, nunca chegaram a estar mais de 20 a 30 pessoas com vontade de participar em tal marcha. Com alguma boa vontade poderemos falar em cerca de 50 pessoas que terão por ali passado com esse intuito.

Numa altura em que o País se encontra mergulhado numa grave crise, em recessão, com perda do poder de compra e com o número de desempregados no Distrito a atingir valores recorde e com tendência para um agravamento, em Braga além dos aumentos brutais nas tarifas do saneamento (8%) e da água (3,3%), parece que a população e os comerciantes do centro histórico aguentam mais este sacrifício, baseado num negócio controverso.

Aguenta, aguenta.

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