sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fábrica Confiança vale cerca de 1M€, mas foi comprada por 3,5M€!

É notícia hoje no Diário do Minho, a compra do imóvel da antiga Fábrica Confiança, por 3.500.000€!

Câmara paga pela “Confiança” 3,5 milhões em duas prestações

BRAGA | 21 DE DEZEMBRO DE 2012

A Câmara de Braga aprovou, ontem, por unanimidade, a compra da antiga fábrica Confiança, por 3,5 milhões de euros. O acordo amigável surge na sequência da declaração de utilidade pública para a expropriação do imóvel, que o perito judicial avaliou em mais de 3,6 milhões de euros. O proprietário aceitou a derradeira proposta de acordo da autarquia, descendo o preço para 3,5 milhões e concordando em receber em duas prestações: uma no momento da escritura e outra em maio. O líder da coligação “Juntos por Braga” exige, agora, que a Câmara avance de imediato com o concurso de ideias de arquitetura, com a candidatura do projeto a fundos comunitários e com a requalificação da envolvente.

Comecemos pelo início...

A história do negócio da Fábrica Confiança remonta a 2011, quando surgiu a intenção da Câmara Municipal de Braga (CMB) comprar o imóvel por 3,55M€ em três prestações. Podia ler-se no Porto Canal através da Lusa.
Braga, 23 nov (Lusa) - A Câmara Municipal de Braga avalia quinta-feira a compra da extinta "Saboaria e Perfumaria Confiança" pelos cerca de três milhões e meio de euros acordados com os proprietários do edifício, considerado "um marco de referência no contexto industrial bracarense".
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Ricardo Rio e Vítor Sousa solicitaram, informa o comunicado, "uma avaliação à respetiva comissão municipal, que atribui ao imóvel um valor da ordem dos 3 550 771,75 euros".
Desta forma, e "no âmbito de negociações" as partes acordaram o valor de três milhões, quinhentos e cinquenta mil euros a serem pagos em três parcelas.
A primeira, de um milhão e quinhentos mil euros, a ser entregue no ato da escritura e as restantes em maio e novembro de 2012, sendo cada uma de um milhão e vinte e cinco mil euros.

Poucos dias após esta notícia, Luís Tarroso Gomes dava aqui o alerta.
De repente, do nada, e numa súbita preocupação com a história da cidade surge a ideia de preservar a Fábrica. Em poucos dias acertam-se os termos do negócio. Em plena crise e consequente desvalorização do património imobiliário, após as mais diversas demolições que diminuíram o valor do complexo, o que tinha sido comprado por quase 1,9 milhões de euros (e 21.293m2) é proposto vender à cidade por 4 milhões (e 5.000m2)! Porém, com a pronta e nobre intervenção dos Senhores Vereadores, chega-se a um preço especial: apenas 3,5 milhões! Ou seja, se estou a ver bem as coisas, o bom negócio que nos apregoam é comprar um quarto da área por quase o dobro do preço! Vale a pena ir ao local e perceber melhor o que está a ser adquirido por 3,5 milhões. Será que algum privado faria este negócio?

Surgem prontas respostas políticas, mas seria necessário esperar alguns meses para novos desenvolvimentos significativos, quando a 29 de Fevereiro surgia a notícia da desistência do negócio, onde várias suspeitas eram lançadas, e onde a avaliação em baixa do imóvel por Luís Tarroso Gomes era confirmada.
Braga, 29 fev (Lusa) - A empresa proprietária da fábrica de sabonetes Confiança desistiu da venda do imóvel à Câmara de Braga, mas o Município ainda pode enveredar pela via da expropriação, disseram hoje à Lusa fontes ligadas ao processo.
Segundo Paula Nogueira, do Bloco de Esquerda (BE), a desistência constitui "uma grande vitória" para a cidade, mas também para aquela força partidária, que "levou até às últimas consequências a luta contra um negócio muito duvidoso e completamente ruinoso para os cofres municipais".
Paula Nogueira lembra que, em 2002, os antigos donos da fábrica venderam-na à empresa Urbinews, por 1,9 milhões de euros, mas em finais de 2011 a Câmara de Braga deliberou comprá-la por 3,5 milhões.
Diz ainda que "um dos mais experientes" peritos da cidade avaliou o imóvel em 1,2 milhões.
O BE fez chegar o caso ao Ministério Público junto do Tribunal de Contas, alegando ser seu dever "zelar pela coisa pública".
Na participação, o BE alude a "rumores" que apontam para a "proximidade de relações" entre o empresário que é o "principal rosto" da Urbinews, Hernâni Vaz Antunes, e o genro do presidente da Câmara de Braga.
Agora, alegadamente por não estar disponível para alimentar polémicas, a Urbinews comunicou a desistência da venda.

A 19 de Abril surgia a notícia, que o perito oficial António Moreira dos Santos tinha calculado em 1,5 milhões de euros o valor da Fábrica Confiança, reforçando as suspeitas que se levantavam sobre o negócio.

Perito oficial avalia Fábrica Confiança em 1,5 milhões

BRAGA
O perito avaliador António Moreira dos Santos calcula em 1,5 milhões de euros o valor da Fábrica Confiança, imóvel que a câmara de Braga se propõe adquirir por expropriação por 3,67 milhões de euros. O perito da lista oficial do Ministério da Justiça acompanhou ontem, em conferência de imprensa, os dirigentes da CDU de Braga na perplexidade perante o valor da avaliação da Fábrica Confiança, aprovada na última reunião de câmara e que é discutida amanhã em Assembleia Municipal.


A todas as avaliações claramente abaixo da avaliação dos peritos camarários, a 11 de Julho tornava-se do conhecimento público que as Finanças tinham avaliado o imóvel em 935.000€.
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Desde então nada mais se soube do negócio, contudo curiosamente a Fábrica Confiança começou a arder de forma sucessiva, tendo ardido um total de 5 vezes em 2012.
Quanto aos políticos locais em funções, o que se leu, foi a despreocupação com os incêndios.

Agora, em vésperas da grande cerimónia de encerramento da Capital Europeia da Juventude, na proximidade do Natal e da passagem de ano, surge a notícia da compra da Confiança, aprovada por unanimidade, por 3,5M€.

Perante isto o que podemos dizer?

No caso do Monte do Picoto, a CMB avança sem reservas com as expropriações, à revelia dos privados, sem saber que custo terá.
Contudo no caso da Fábrica Confiança, sem qualquer projeto financiado pelo QREN, quando as Finanças avaliam o imóvel em menos de 1M€, a CMB negoceia com o privado e aceita pagar 3,5M€. Além de incompreensível a diferença de trato nos dois casos, surge desde logo a questão.


Se a expropriação fosse feita através dos tribunais, findo todo o processo, quanto pagaria a Câmara Municipal de Braga?

O país está falido, a Câmara Municipal de Braga não tem dinheiro para concluir obras públicas, o financiamento para avançar com o projeto pode nunca existir, mas o negócio está concluído e os particulares envolvidos no negócio já lucraram, à custa de todos os bracarenses.

Entende que o negócio da compra do imóvel da antiga Fábrica Confiança por 3,5M€, para o município de Braga é?
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