domingo, 8 de janeiro de 2012

Braga e a cultura

Com a recente crise ficou evidente que não basta construir ou recuperar, estabelecendo programas e eventos temporários só com o objectivo de utilizar os recursos comunitários. É fundamental manter, explorar e justificar o investimento feito.

Braga tem os dois maiores auditórios do Minho, são eles:
- o Grande Auditório do Parque de Exposições com uma capacidade de 1.204 lugares;



- o magnífico Theatro Circo com 896 lugares que além disso é também o mais nobre auditório do Minho.



Contudo apesar de Braga possuir maior poder de compra, ser claramente a maior cidade e possuir um número de pessoas com formação superior que triplica qualquer uma das cidades do Minho, tanto o Centro Cultural de Vila Flor (CCFV) (em Guimarães) como a Casa das Artes (em Famalicão) superam largamente em qualidade, exploração e divulgação a agenda cultural dos dois auditórios de Braga.

Recentemente em entrevista ao Jornal de Notícias, Rui Madeira afirmou que o Theatro Circo tinha conseguido um número recorde de espectadores, apesar de todos os interessados terem a percepção da perda de qualidade da programação.

Basta aceder ao último Relatório de Contas do Theatro Circo para vermos a preocupante realidade. Em 2007 a receita de bilheteira era de 497.073€, passando para apenas 242.222€ em 2010, e as receitas de actividade caíram de 550.896€ para 322.522€. Contudo o mais grave é verificar que em 2010, com um custo de programação superior, relativamente a 2009 e 2008, houve um retorno de receitas muito inferior.

Numa análise aos restantes números fica evidente que os espectáculos que recebem maior receptividade e retorno sessão/público são a Música e a Dança, contudo na agenda de 2012, em Janeiro há apenas 2 sessões com Musica e nenhuma sessão com Dança.
Quando se pretende apostar na criação local e nacional, não se devia apostar mais em espectáculos com as bandas locais e com as companhias de dança?

A juntar ao tipo e à qualidade da agenda cultural temos ainda a forma como é feita a divulgação e promoção dos espectáculos. No CCVF existe a parceria com o CineClube de Guimarães que promove e cativa sócios, no Theatro Circo as sessões de cinema não têm promoção específica. No CCVF existem eventos de sucesso como o GuimarãesJazz, enquanto o BragaJazz foi mais um dos eventos sem continuidade. Podem também ser constatadas as diferenças que existem nos sites, contas das redes sociais e promoção na comunicação social local

Assim vai a promoção da cultura em Braga.